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quarta-feira, 18 de julho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sobre O Blog, Sobre A Vida Depois Do Sonho



Há cerca de 3 meses atrás fui convidado ( ou me convidei ) pelo ator Elder Gattely para montar o blog "Pasolini, A Vida Depois Do Sonho", com o objetivo de acompanhar o processo de montagem do monólogo com o mesmo nome. Monólogo este dirigido por Edson Bueno e estrelado por Elder Gattely, em fase de produção. A idéia seria acompanhar os bastidores da montagem, a história dos envolvidos, ator e diretor e logicamente falar sobre a grande figura a ser retratada na peça, Pier Paolo Pasolini. Confesso, com toda sinceridade do mundo, que não sou um profundo conhecedor de Pasolini, mas também nunca fui nenhum leigo. Sou da geração que viu as muralhas da censura ruirem quando seus primeiros filmes estrearam aqui, com um certo atraso, causando filas monstruosas nos antigos Cines Gazeta da Av Paulista em São Paulo. E a partir do momento em que coloquei o blog no ar, fui me deparando com as multifacetas do Pier, e me surpreendendo cada vez mais com sua riquíssima trajetória. Escritor, poeta, romancista, ator, enfim, um artista completo e bastante polêmico. Hoje, 3 meses depois do lançamento do blog, continuo me surpreendendo com as informações que vou encontrando sobre o grande artista. Agora, não sou historiador e o blog nunca teve a intenção de ser um documento histórico oficial sobre o grande cineasta. Para esse tipo de informação, em nossa propria página inicial indicamos o Arquivo Pasolini ( http://lunazar.wordpress.com/ ), blog fantástico do querido Luiz Nazário e o Pier Paolo Pasolini (http://pasolinipuntonet.blogspot.com.br/ ), blog riquíssimo em informações. Em nosso espaço, além de Pasolini, estamos mostrando a trajetória do grande diretor Edson Bueno, do ator Elder Gattely e também do Grupo Delírio Cia de Teatro, todos eles envolvidos até o último fio de cabelo com "Pasolini, A Vida Depois Do Sonho". E estamos felizes com a repercussão, mais de 4.000 acessos e Pasolini sendo comentado, discutido e polemizado. Como ele gostaria que fosse........... afinal é a vida depois do sonho.........


                                                                                                            Dante Rodini


E Aguardem "Pasolini, A Vida Depois Do Sonho" no teatro


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Como Navegar Por Nosso Blog ?

Nosso blog está sendo construido simultaneamente aos ensaios de "Pasolini, A Vida Depois Do Sonho". Ele está acompanhando a montagem do espetáculo que estréia em julho com direção de Edson Bueno e estrelado por Elder Gattely. Já estamos com 70 postagens publicadas e mais de 3.000 acessos em pouco mais de 2 meses de existência. Aqui  você encontra postagens específicas sobre Pasolini, Elder Gattely, Edson Bueno, Grupo Delírio Cia de Teatro, Poemas e Textos  de Pasolini e muito mais. Abaixo algumas dicas para você acompanhar com mais facilidade nosso trabalho. Abraço e obrigado por nos acessar !!!! 


Se você quer saber tudo sobre o Elder Gattely, trabalhos, vídeos, entrevistas, é só clicar aqui :
http://pasolinividadepoisdosonho.blogspot.com.br/search/label/Elder%20Gattely
Todo o material sobre o diretor Edson Bueno ? Clica aqui :
http://pasolinividadepoisdosonho.blogspot.com.br/search/label/Edson%20Bueno
A trajetória completa de Pasolini, o grande artista a ser retratado em A Vida Depois do Sonho ?
http://pasolinividadepoisdosonho.blogspot.com.br/search/label/Pasolini

Os trabalhos no teatro de Elder e Edson, a dupla à frente de A Vida Depois Do Sonho?
http://pasolinividadepoisdosonho.blogspot.com.br/search/label/Teatro

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Elder Gattely, Curitiba, 30 De Maio De 2012, O Texto


"Iniciando o processo de mergulho no texto e personagem. Pasolini, A Vida Depois Do Sonho, começando a tomar forma e a tomar conta de mim" ........Elder Gattely

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pasolini, A Vida É Doce, Edson Bueno



Mais um dia de Pasolini, impregnado de café e palavras (qualquer dia vou incluir o conhaque e, com tanto frio, seja o que Deus quiser!).  Mais um dia em que pensamentos e ideias fluem naturalmente (?) e onde o que importa não são as certezas, mas as dúvidas. Mais um dia de Pasolini, onde o vazio vai se apresentando e pelo menos uma outra certeza dá as caras: “Não, não tenha pressa de preencher o vazio. O grande segredo é mantê-lo até o último momento, como se você segurasse o orgasmo ao máximo, para permiti-lo todo quando não é mais possível segurá-lo!” Ok. Quando se pensa em Pasolini, tantas décadas depois de sua morte, duas palavras saltam entre os dentes: cinema e sexo. Ok! Tudo pode apenas ser uma obsessão contraproducente, mas com certeza é a herança pasoliniana, um mito a ser desvendado e desconstruído. O Pasolini que permaneceu, gostemos ou não, é mais o cara das imagens que o cara das palavras. Viajemos em suas palavras, mas não deixemos nunca de acreditar em suas imagens poderosas, afinal, uma imagem vale mais que... (ora, isto é um clichê muito do jaguara!). E como cada coisa acontecerá em seu momento e agora é a hora do alimento, o que custa lembrar frases desconexas que estão ligadas apenas pelo mistério escondido entre as sílabas? E vale ainda um exercício de adivinhação: o que disso, aí embaixo, foi dito e pensado pelo diretor italiano e o que é apenas associação? Palavras não mudam o mundo, pessoas mudam o mundo. Palavras mudam pessoas!
. “A vida... sim, apesar de tanta crueldade, é doce, apesar de toda escuridão, é inocente, apesar de tanta complicação, é simples, é pura...”
. “... que ao vosso amor venha juntar-se a consciência de vosso amor.”
. “... o tema central de minha obra é a dessacralização dos tabus sexuais, a coragem de se falar deles, de torná-los assunto de ciência.”
. “... o meu cinema não é exatamente cinema...”
. “A existência não é mesquinha: ela dá, e dá muito, e está disposta a dar tudo. O problema é que não estamos preparados para receber. Não temos espaço para receber suas dádivas.”
. “Somos sementes, mas seria uma infelicidade morrermos como sementes. Temos de nos tornar flores e temos de exalar nossa fragrância...”

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Os Ladrões, Edson Bueno

Kaley, Elder e Edson... já roubando! 

Há sempre um processo oculto, que nada tem a ver com o resultado final, quando se iniciam os ensaios de um espetáculo de teatro. Brincando sobre o tempo e a eternidade, é como se tudo já tivesse acontecido. E talvez seja mesmo verdade que em algum lugar tudo já aconteceu e estamos apenas obedecendo a naturalidade de pisar a tal linha do tempo. Quando o start é dado por um texto dramático pronto e finalizado, tudo caminha por uma trilha já percorrida e marcada e o processo de imaginar é orientado. Mas quando o start é dado por uma ideia ou um personagem (no nosso caso, Pier Paolo Pasolini), pode-se dizer que a tal trilha tem ainda que ser construída e a encenação do espetáculo confunde-se com essa construção. Mil e uma variantes vão interferir naquilo que um dia vai ser chamado de “espetáculo de teatro” e até um obstáculo, aparentemente intransponível, acaba deixando de sê-lo para fazer parte da narrativa. Nada pode ser desconsiderado, nem mesmo um delírio (de ator ou diretor) que surge assim, do nada, no meio de um tema aparentemente muito sério e que parece ser totalmente despropositado ou fora de lugar. Adoro as associações que acontecem na primeira parte dos ensaios, quando todos estão sentados em volta de uma mesa e a leitura em conjunto é o caminho. Não tenho dúvidas de que essas associações são uma conversa livre com o inconsciente, que perdido entre as palavras, se deixa falar livremente. É dessas associações que se fabrica a vida que estará presente no palco. É a partir dessas associações que o tema central vai se tornando orgânico, a ponto de tornar-se tão íntimo dos criadores que até se confunde com a própria criação. No nosso caso, ouso dizer que em algum momento, Pasolini será tão íntimo de nossos espíritos que se deixará ser nossa criação, como se nunca tivesse existido e a sua vida já acontecida fosse um exercício livre de ficção, presente apenas em nossa mente de criadores e que só se tornará realidade quando presente no palco. Pasolini será nosso e de mais ninguém. Nem dele próprio! Assim são os artistas de teatro: criadores de vidas que no fundo são ladrões de vidas. Roubam o que já existe para dar-lhes alma artística e sentido teatral. O que quer dizer isso? Permito-me um arroubo de arrogância! Picasso quando pintou “Guernica” roubou a batalha da vida e fez com que fosse dele, como arte, para sempre! Além da história, “Guernica” é, para a eternidade, uma criação de Pablo Picasso. Assim como Pasolini fez com Medéia, Édipo e Jesus Cristo, por exemplo. Tudo até pode parecer óbvio, mas é na ousadia do roubo e na dificuldade dele que se percebe que o óbvio não é tão óbvio assim. Iniciamos a nossa fase ladrona. Como nos filmes antigos, deixamos de ser heróis para sermos contraventores. Máscara no rosto, passos suaves de felino, luvas (para não deixar impressões digitais!) e saco nas costas, para roubar tudo o que for possível de ser carregado. Como todo roubo, nada é feito às claras e ao final dele, se não formos pegos com a boca na botija, dividiremos o que foi roubado. E então teremos a matéria prima para a nossa obra de arte. Nesse momento o roubo deixará de sê-lo, para tornar-se um arroubo e, perfeita ou imperfeita, a peça de teatro ganhará vida própria e será nossa enquanto o vento não carregá-la como faz com todo teatro. E se, no banco dos réus, algum juiz perguntar-nos, “Quem é Pier Paolo Pasolini?”, não teremos dúvidas em responder de imediato: “Pasolini, meritíssimo, somos nós!”