domingo, 6 de maio de 2012

Duas Frases De Pasolini


"O melhor da vida é o passado, o presente e o futuro"


"Pecar não é praticar o mal. O verdadeiro pecado é não fazer o bem"




sábado, 5 de maio de 2012

Imagens De Pasolini



Acompanhe "Pasolini, A Vida Depois do Sonho"




Acompanhe o nosso blog, http://pasolinividadepoisdosonho.blogspot.com.br/ , "Pasolini, A Vida Depois do Sonho". Este projeto viabiliza o processo, ensaio e montagem do monólogo "Pasolini- A Vida Depois do Sonho". A direção cênica será realizada pelo premiado diretor e dramaturgo Edson Bueno e protagonizado pelo ator Elder Gattely com montagem, estréia e primeira temporada em Curitiba previsto para julho de 2012. Acompanhe o dia a dia da produção, os bastidores, e tudo mais que diz respeito à uma montagem teatral, faça parte deste projeto acessando http://pasolinividadepoisdosonho.blogspot.com.br/. Esperamos por você !!!!

É da experiencia existencial, direta,
concreta, dramática, corporal
(da realidade)que nascem em conclusão
todos os meus discursos ideológicos.
Pier Paolo Pasolini

Pasolini Por Martin Scorsese




“Pasolini foi um inovador. (...) Seus filmes são poesia, uma forma primordial de poesia, feita com imagens e, principalmente com palavras, um poeta que partia de elementos terrenos pobres e os elevava a níveis astrais.” – L’Espresso – 13.out.1993

sexta-feira, 4 de maio de 2012

As Cores De Pasolini


Pasolini, A Vida É Doce, Edson Bueno



Mais um dia de Pasolini, impregnado de café e palavras (qualquer dia vou incluir o conhaque e, com tanto frio, seja o que Deus quiser!).  Mais um dia em que pensamentos e ideias fluem naturalmente (?) e onde o que importa não são as certezas, mas as dúvidas. Mais um dia de Pasolini, onde o vazio vai se apresentando e pelo menos uma outra certeza dá as caras: “Não, não tenha pressa de preencher o vazio. O grande segredo é mantê-lo até o último momento, como se você segurasse o orgasmo ao máximo, para permiti-lo todo quando não é mais possível segurá-lo!” Ok. Quando se pensa em Pasolini, tantas décadas depois de sua morte, duas palavras saltam entre os dentes: cinema e sexo. Ok! Tudo pode apenas ser uma obsessão contraproducente, mas com certeza é a herança pasoliniana, um mito a ser desvendado e desconstruído. O Pasolini que permaneceu, gostemos ou não, é mais o cara das imagens que o cara das palavras. Viajemos em suas palavras, mas não deixemos nunca de acreditar em suas imagens poderosas, afinal, uma imagem vale mais que... (ora, isto é um clichê muito do jaguara!). E como cada coisa acontecerá em seu momento e agora é a hora do alimento, o que custa lembrar frases desconexas que estão ligadas apenas pelo mistério escondido entre as sílabas? E vale ainda um exercício de adivinhação: o que disso, aí embaixo, foi dito e pensado pelo diretor italiano e o que é apenas associação? Palavras não mudam o mundo, pessoas mudam o mundo. Palavras mudam pessoas!
. “A vida... sim, apesar de tanta crueldade, é doce, apesar de toda escuridão, é inocente, apesar de tanta complicação, é simples, é pura...”
. “... que ao vosso amor venha juntar-se a consciência de vosso amor.”
. “... o tema central de minha obra é a dessacralização dos tabus sexuais, a coragem de se falar deles, de torná-los assunto de ciência.”
. “... o meu cinema não é exatamente cinema...”
. “A existência não é mesquinha: ela dá, e dá muito, e está disposta a dar tudo. O problema é que não estamos preparados para receber. Não temos espaço para receber suas dádivas.”
. “Somos sementes, mas seria uma infelicidade morrermos como sementes. Temos de nos tornar flores e temos de exalar nossa fragrância...”

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Os Ladrões, Edson Bueno

Kaley, Elder e Edson... já roubando! 

Há sempre um processo oculto, que nada tem a ver com o resultado final, quando se iniciam os ensaios de um espetáculo de teatro. Brincando sobre o tempo e a eternidade, é como se tudo já tivesse acontecido. E talvez seja mesmo verdade que em algum lugar tudo já aconteceu e estamos apenas obedecendo a naturalidade de pisar a tal linha do tempo. Quando o start é dado por um texto dramático pronto e finalizado, tudo caminha por uma trilha já percorrida e marcada e o processo de imaginar é orientado. Mas quando o start é dado por uma ideia ou um personagem (no nosso caso, Pier Paolo Pasolini), pode-se dizer que a tal trilha tem ainda que ser construída e a encenação do espetáculo confunde-se com essa construção. Mil e uma variantes vão interferir naquilo que um dia vai ser chamado de “espetáculo de teatro” e até um obstáculo, aparentemente intransponível, acaba deixando de sê-lo para fazer parte da narrativa. Nada pode ser desconsiderado, nem mesmo um delírio (de ator ou diretor) que surge assim, do nada, no meio de um tema aparentemente muito sério e que parece ser totalmente despropositado ou fora de lugar. Adoro as associações que acontecem na primeira parte dos ensaios, quando todos estão sentados em volta de uma mesa e a leitura em conjunto é o caminho. Não tenho dúvidas de que essas associações são uma conversa livre com o inconsciente, que perdido entre as palavras, se deixa falar livremente. É dessas associações que se fabrica a vida que estará presente no palco. É a partir dessas associações que o tema central vai se tornando orgânico, a ponto de tornar-se tão íntimo dos criadores que até se confunde com a própria criação. No nosso caso, ouso dizer que em algum momento, Pasolini será tão íntimo de nossos espíritos que se deixará ser nossa criação, como se nunca tivesse existido e a sua vida já acontecida fosse um exercício livre de ficção, presente apenas em nossa mente de criadores e que só se tornará realidade quando presente no palco. Pasolini será nosso e de mais ninguém. Nem dele próprio! Assim são os artistas de teatro: criadores de vidas que no fundo são ladrões de vidas. Roubam o que já existe para dar-lhes alma artística e sentido teatral. O que quer dizer isso? Permito-me um arroubo de arrogância! Picasso quando pintou “Guernica” roubou a batalha da vida e fez com que fosse dele, como arte, para sempre! Além da história, “Guernica” é, para a eternidade, uma criação de Pablo Picasso. Assim como Pasolini fez com Medéia, Édipo e Jesus Cristo, por exemplo. Tudo até pode parecer óbvio, mas é na ousadia do roubo e na dificuldade dele que se percebe que o óbvio não é tão óbvio assim. Iniciamos a nossa fase ladrona. Como nos filmes antigos, deixamos de ser heróis para sermos contraventores. Máscara no rosto, passos suaves de felino, luvas (para não deixar impressões digitais!) e saco nas costas, para roubar tudo o que for possível de ser carregado. Como todo roubo, nada é feito às claras e ao final dele, se não formos pegos com a boca na botija, dividiremos o que foi roubado. E então teremos a matéria prima para a nossa obra de arte. Nesse momento o roubo deixará de sê-lo, para tornar-se um arroubo e, perfeita ou imperfeita, a peça de teatro ganhará vida própria e será nossa enquanto o vento não carregá-la como faz com todo teatro. E se, no banco dos réus, algum juiz perguntar-nos, “Quem é Pier Paolo Pasolini?”, não teremos dúvidas em responder de imediato: “Pasolini, meritíssimo, somos nós!”

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mensagem De Elder Gattely


"Fiquei emocionado. É um prazer estar ao lado de pessoas com espírito e alma de artista. Bueno você é um mestre e tenho certeza que todos envolvidos nesse processo terão esse momento marcado em suas memórias. Com sonho, paixão e arte , assim entra Pasolini em nossas vidas. E desde já sou grato por ter a sorte de fazer teatro com pessoas que admiro na vida e na arte. A toda equipe e envolvidos bem vindos! Ao público boa Viagem, o prazer será todo nosso!
Ou melhor, de todos nós" ......Elder Gattely

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Cântico Negro, Edson Bueno





“No cinema de poesia, a história tende a desaparecer. O autor escreve poemas cinematográficos. No cinema de poesia, o protagonista é o estilo, mais do que as coisas ou os fatos. Meus filmes pertencem a essa categoria.”- Pier Paolo Pasolini para o “Cahiers Du Cinéma.

Que Pasolini era um poeta não há a menor dúvida. Que Pasolini, se não podia transformar o mundo, queria ao menos dar-lhe uma chance de pensar outras possibilidades, não há a menor dúvida. Que Pasolini não tinha o menor interesse em ordenar a vida, muito pelo contrário, não há a menor dúvida. Que Pasolini não era apenas um revolucionário político, mas um revolucionário da civilização, um poeta que acreditava piamente que a única solução para nossas vidas era colocando tudo abaixo, virando tudo de ponta cabeça, alterando a ordem das coisas, desconstruindo a matemática, fazendo da ideologia da vida um ato de pura paixão pela inocência da natureza primária. Agora, quanto penso novamente em Pasolini, algumas ideias desgarradas aparecem, assim, do nada, pra dizer: “Olha, eu também estou aqui!”. E não é que hoje, acordando do susto, 11h30, sussurra nos meus ouvidos o poema “Cântico Negro”, do poeta português José Régio. O que isso tem a ver com Pasolini? Acho que tudo, mas, como as melhores coisas da vida e as maiores luzes do inconsciente, não tem a menor utilidade prática.

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

Pasolini Entre As Artes




Edson Bueno
Tudo sempre volta. Eu tinha não mais que 18 anos quando entrei de gaiato no Cine Condor (que não existe mais como todos os cinemas de rua!) e desavisadamente dei de cara com “Teorema”, dirigido por um tal italiano chamado Pier Paolo Pasolini. Um filme complexo demais para minha pouca idade, mas também compreensível, pelo menos na superfície, para um piá que amava o cinema, mas estava a quilômetros do mundo das ideias. “Teorema” e sua complexidade política, moral e religiosa era um mistério pra mim, mas o seu deboche para com as convenções hipócritas do mundo burguês e civilizado já tocava fundo no meu coraçãozinho inquieto. Saí do cinema pensando o sexo, a beleza e o medo. A figura daquele pai transtornado, estacionando nu no meio da estação, ficou gravada na minha memória. O que Pasolini queria dizer que eu não compreendia? Era cedo para tanto, mas o poder das imagens e a simplicidade do cinema já eram compreensíveis. E quis saber quem era esse diretor tão provocador e original. Eu, que era filhote legítimo do cinema americano. Pasolini abriu pra mim as portas do cinema arte pura. Abriu as portas para a ousadia das temáticas e das imagens; abriu as portas do cinema europeu. Entre outras coisas, sem saber (e talvez sem pretender) me deu a certeza de que não estava sozinho no meio do universo; eu com as minhas dúvidas, ansiedades e temores. E de “Teorema” até “Saló” eu vi todo o Pasolini que me foi possível. E vivi, com tudo que pude, a sua história belissimamente artística e tragicamente humana com a intimidade de um amigo, companheiro e fã incondicional. Os anos passaram desde o dia em que, em plena Praça Generoso Marques abri um jornal e soube da notícia de sua morte; mas Pasolini permanece vivo em meu espírito, porque o que é profundo e consequente não nos abandona com facilidade. E ainda continua a espinhar as entranhas porque os mistérios nunca desvendados vivem em nossos sonhos e desejos, não nos dão sossego e nos incitam eternamente. Em algum momento esse mito, esse deus da loucura, esse farol da consciência, viria até mim para cobrar uma opinião. Chegou esse tempo, pelo desejo do Elder, de provocar-se com o artista, mistura de deus e demônio, de sátiro e ingênuo! Pasolini, por caminhos de paixão pelo perigoso e pelo artístico, resolveu dar as caras em minha vida. Chegou a hora de dar-lhe uma resposta de tanto amor e prazer, de tanta certeza de ter acompanhado sempre uma obra da qual nunca duvidei uma palavra ou um plano de cinema. Chegou a hora de voltar a Pasolini! E o melhor caminho é (eu que nunca dou a mínima para o passado!) voltando aos meus 18 aninhos e me imaginando (lembrando), ansioso e tonto, na fila do Cine Condor, comprando meu ingresso para ver um tal filme, que mudaria a minha visão da vida e do cinema. Mudaria não! Daria o start para a compreensão dela como algo tão escancarado, mas que pode muito bem ser uma prisão caso a soma de um mais um seja sempre dois! Pasolini, aqui estou eu! Nos conhecemos há mais de três décadas, que tal um passeio?  Pois vamos à viagem...!