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O Evangelho Segundo São Mateus, espetáculo que rodou o Brasil em 2011 pelo Palco Giratório do Sesc. ![]() Cinco atores que se dizem “padeiros”,ocupam uma cozinha e enquanto fazem o pão, desde a preparação do fermento, o crescimento e o ato de assar, conversam sobre o “Evangelho de São Mateus”. Ao mesmo tempo, dois deles, interpretam a mãe e o filho, extraídos poeticamente do “Oitavo Poema do Guardador de Rebanhos”, de Fernando Pessoa, onde o filho conta para sua mãe que tem um amigo fugido do céu, como o Jesus de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) que lhe conta uma nova possibilidade para uma história tão antiga, que perpétua, como a de Jesus Cristo. À medida que o pão vai sendo feito, a história é contada, não pela ação, mas pela palavra e pela reflexão sobre ela, desde a anunciação até a ressurreição, seguindo o formato poético e filosófico de São Mateus. Conexões com outras leituras da mesma história são feitas como as do filme de Píer Paolo Pasolini, a filosofia de Friedrich Nietzsche, a visão humanista de Clarice Lispector. |
sexta-feira, 20 de julho de 2012
O Evangelho Segundo São Mateus
Elder Gattely : O Silêncio & Pasolini
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Elder Gattely, se preparando para Pasolini, A Vida Depois Do Sonho
Direção: Edson Bueno
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
"A Um Papa", Pier Paolo Pasolini
Poucos dias antes de morreres, a morte
pousou os olhos em alguém da tua idade:
aos vinte anos, tu estudavas, ele era pedreiro,
tu, nobre, rico, ele, um rapazote plebeu:
mas os mesmos dias douraram sobre vós
a velha Roma, voltando a dar-lhe a sua juventude.
Vi os seus despojos, pobre Zucchetto.
Andava de noite, bêbado, à volta dos Mercados,
e um eléctrico que vinha de San Paolo atropelou-o
e arrastou-o por uns metros de carris no meio dos plátanos:
durante umas horas ficou ali, sob o rodado:
poucas pessoas se juntaram em redor, olhando-o,
em silêncio: já era tarde, havia pouca gente.
Um dos homens que existem para que tu existas,
um velho polícia, desbocado como todos os patifes,
gritava aos que se aproximavam mais: «Larguem-lhe os colhões!»
Depois veio uma ambulância buscá-lo:
as pessoas desapareceram, só ficaram uns grupos aqui e acolá,
e, mais à frente, a dona de um cabaré,
que o conhecia, disse a um recém-chegado
que Zucchetto tinha ficado debaixo de um eléctrico, que estava morto.
Poucos dias depois, morrias tu: Zucchetto era um
dos do teu grande rebanho romano e humano,
um pobre bêbado, sem família nem leito,
que andava de noite, vivendo ao deus-dará.
Tu ignoravas: como ignoravas
outros milhares e milhares de cristos como ele.
Talvez seja cruel ao perguntar por que razão
a gente como Zucchetto é indigna do teu amor.
Há lugares infames, onde mães e filhos
vivem na poeira antiga, na lama de outras eras.
Não muito longe de onde tu viveste,
à vista da bela cúpula de San Pietro,
fica um desses lugares, o Gelsomino...
Um monte cortado ao meio por uma pedreira, e no sopé,
entre um charco e uma fieira de prédios novos,
um montão de tugúrios miseráveis, não casas mas pocilgas.
Bastava um gesto teu, uma palavra,
para esses teus filhos terem uma casa:
nunca fizeste um gesto, nunca disseste uma palavra.
Ninguém te pedia que perdoasses Marx! Uma vaga
imensa que irrompe sobre milénios de vida
te separava dele, da sua religião:
mas não se fala, na tua religião, de piedade?
Milhares de homens sob o teu pontificado,
diante dos teus olhos, viveram em estábulos e pocilgas.
Tu sabias que pecar não é fazer o mal:
não fazer o bem, isso sim, é que é pecar.
Quanto bem podias tu ter feito! E não fizeste:
não houve quem mais pecasse do que tu.
poemas
pier paolo pasolini
trad. maria jorge vilar de figueiredo
assírio & alvim
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Operação Literatura: Alteração Na Programação
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Teremos uma pequena alteração na nossa programação, esta semana (19 a 22/07) a Peça " CAPITU - Memória Editada, será substituída por "Evangelho Segundo São Mateus" Gratos por sua compreensão. |
Grupo Delírio & "Capitu - Memória Editada", Detalhes Aqui
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Quinta-Feira - entrada LIVRE (pague quanto quiser) Sexta-Feira - (20/10R$) papo aberto com a galera do elenco depois da peça Sábado - (20/10R$) oficinas de manhã e tarde, garanta sua vaga! Domingo- (20/10R$) espetáculo começa as 19h. Em Agosto Pasolini, A Vida Depois Do Sonho
Com Elder Gattely
Direção: Edson Bueno
Curitiba
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Espaço Cênico & "Pasolini, A Vida Depois Do Sonho"
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Espaço Cênico Curitiba Em Agosto Pasolini, A Vida Depois Do Sonho
Com Elder Gattely
Direção: Edson Bueno
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terça-feira, 17 de julho de 2012
El Caso Pasolini
PASOLINI EM QUADRINHOS
Álbum tem como ponto de partida o assassinato do cineasta, mas abre espaço para as idéias de um poeta da rebeldia
Álbum tem como ponto de partida o assassinato do cineasta, mas abre espaço para as idéias de um poeta da rebeldia
Por Alexandre Figueirôa
Editor da revista O Grito!
Editor da revista O Grito!
No café de certa livraria – quando o movimento torna-se mais tranqüilo e espera-se a qualquer momento aquela voz invisível anunciar o encerramento das atividades –, cinéfilos simpatizantes da filmografia de cineastas transgressores, entre as prateleiras de filmes à venda, não podem deixar de citarem o nome de Pier Paolo Pasolini. Invariavelmente homossexualidade e morte são temas acionados para a conversa amistosa adquirir um tom mais íntimo. O fascínio encetado pelo diretor deTeorema e Pocilga é uma viagem universal. Agora mesmo os espanhóis estão podendo conhecer o álbum O Caso Pasolini de autoria de Gianluca Maconi, recentemente traduzido na Espanha, segundoEl País, e cujo ponto de partida da narrativa é justo o assassinato do cineasta.
Segundo o jornal, a história em quadrinhos expande o episódio e relata as idéias de um dos intelectuais mais marcantes do século passado, cujo legado em filmes, romances, poesias e ensaios expõem uma atualidade permanente e, portanto, oportuna para questionamentos em campos tão diversos quanto o das deambulações estéticas quanto o das posições políticas. Se um dia o álbum chegar ao Brasil certamente teremos interessados em desvendá-los. Contudo, tal possibilidade estreita-se, pois como observa Luiz Nazário em entrevista ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte, a vasta fortuna crítica do cineasta, parte importante de sua obra e os estudos sobre ele ainda são pouco conhecidas no Brasil.
Nazário – estudioso da vida e obra de Pasolini e autor de Todos os Corpos de Pasolini – tem razão. Mas isto não impede que a conversa entre os cinéfilos adquira uma coloração mais intensa. Lembrar de filmes como O Evangelho Segundo São Mateus e Saló, uma das obras mais polêmicas da história do cinema, permite um prolongamento das elucubrações e elencar aspectos interessantes de um artista que, no início dos anos 70, radicalizou suas posições, época em que a limitada divisão ideológica entre direita e esquerda, estigmatizava a lucidez crítica de pensadores como ele.
Todavia, o assassinato de Pasolini é um episódio até hoje não completamente elucidado, mesmo com o autor do crime, supostamente identificado, preso e julgado. Vez por outra as circunstâncias em que a morte dele ocorreu voltam ao debate. Maconi, pode-se dizer, é mais um dos que provocam na memória dos leitores o retorno à cena de uma praia nos arredores de Roma onde o corpo do cineasta foi encontrado e para o qual desde então há uma linha de investigação, com alguns fundamentos perfeitamente legítimos, defendendo a versão de um assassinato político, não apenas numa perspectiva metafórica, mas de uma ação concreta de extermínio.
Nas informações dadas ao El País, Maconi demonstra não ter baseado seus quadrinhos apenas em fontes secundárias. Ele mesmo partiu para uma investigação pessoal, lendo os autos do processo, entrevistando o próprio acusado do assassinato, o garoto de programa Giuseppe Pelosi, e também membros de associações que preservam a herança artística e ideológica de Pasolini. Ele desenha a cena do crime com três homens que antes de matar Pasolini o chamam de comunista (Pasolini militou no PC italiano na década de 40), tal e qual conta Pelosi ao dizer-se inocente. Maconi afirma desejar mostrar que uma história em quadrinhos pode conter uma investigação séria e trazer à luz por meio do desenho um novo olhar em torno da vida de Pasolini. O álbum inclusive, na Itália, foi lançado em 2005, ano em que se relembrava 30 anos de sua morte e as várias lacunas do caso ainda permanecem abertas.
Luiz Nazário é também defensor da versão de assassinato político, pois para ele a figura de Pasolini perturbava a hipocrisia da sociedade italiana e naquele momento dois trabalhos do intelectual inflamavam a cena cultural do país: Saló e o romance Petróleo, obras que denunciavam a corrupção política e davam munição para os grupos extremistas reagirem. O cineasta tinha também uma visão revolucionária do mundo e da homossexualidade e seu cinema, por exemplo, não acompanhava uma estética realista. Seu texto “O Cinema de Poesia” escrito em 1965, aponta com clareza as suas idéias no campo da representação fílmica. Ver seus filmes e ler seus textos invariavelmente nos induz a uma percepção de quanto ele estava à frente de seu tempo.
Se Maconi alcançou toda esta dimensão do artista e não repete uma leitura sensacionalista, a exemplo do que fez a mídia quando ele foi morto, por conta, sobretudo, da sua homossexualidade assumida, ler o álbum por ele criado poderá ser uma forma instigante de nos relembrarmos de Pasolini. E até fazer como um dos dois cinéfilos que nos conduziu nesta narrativa, o qual circunspecto comprou o DVD de Saló para revê-lo em silêncio enquanto tentará perscrutar o significado do sexo e do poder econômico na nossa vida cotidiana.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
Minha Vontade De Ser Bicho, Foto De Chico Nogueira
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Belíssima foto do Chico Nogueira na estreia de MINHA VONTADE DE SER BICHO! Tudo lindo... ator, atriz, cenário, luz, flores, expressões... tudo lindo! Edson Bueno |
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